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 18/02/2007 a 24/02/2007

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Blog de Tato
 


A MESA DE DOMINGO

 

Já farto,

percebe a rica e patente ceia

que pela mesa alteia, enevoada.

Sentados, friagem,

cadeiras arrastadas,

o leve olhar pelo relógio,

bate meio - dia,

pede oração.

Já farto,

alento empurrado,

sente o odor que demora a passar.

Alguém some na tosse,

no engasgo,

alegrando o festival,

rostos que de tão conhecido

selam apreendizado.

Já farto,

toma um copo a mão,

repleto, cheio.

Percebe um ruído,

um caos silencioso,

alguém abrira a porta,

e da mesa,

dá - se as costas,

do arco fingidor.

No beijo atravessado,

na medeira, no mármore,

o relógio então parou.



Escrito por TaTo às 19h14
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Velho!

O VELHO

Ora nestes momentos em segredo

ora no aguardado;

Nas manhãs vadias de infância,

santo meu arrastado ao parque,

retiro o que disser sobre ser amado.

Já não basta crer na lentidão

andar assistindo sacrifício

ser para todos e para mim

o barulho das orações mundanas.

Parados na porta,

no ponteiro,

que feliz fora eu ao rever a ceia de iluminação opaca.

Não condiz com meu sono

que virtudes e méritos

pressupõem a tal decadência

dessa barba

que velha se torna.

Casto são os traços da pintura

envelhecida

de rugas.

Pálido,

na tosse,

pode negar - se o poder.

É nas manhãs vadias de infância

que construi o rumo do interesse.

Agora,

cumpro as obrigações do meu estado.

Já abri a janela.

Morre a manhã vadia

de infância e tosse.

Morre a saudade,

o triste peregrino que antes acenava.

O corpo magro

que não se estica mais.



Escrito por TaTo às 00h38
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RESSACA CARNAVAL GUAXUPÉ...

Então...carnaval se foi...Carnaval? Hã? Bom ou ruim? Sei lá eu!!! Carnavalzinho bão né??? Sim!!! Aliás, cidade hospitaleira essa não? Me lembra muito novela do Manoel Carlos... Parabéns aos que contribuiram para essa festa ter sido tão engraçada! Tão surreal...um OVNI. E teve bom né?Escolas de samba, felicidade entediada, risos, cães... Adoro carnaval, ainda mais qndo é recheado de confetes "anti-semita" !RS! Socialismo burro! Verba pra desfiles e festas, cervejas...Reais! E as vítimas da enchente sambando em cima dos móveis com lama...e o rio Guaxupé continua lindo!!! A cidade continua linda...o Leblon de calças curtas...só que sem tiroteios...Mas do que adianta falar merda, é só um BlOG... E também todos já falaram... ah e tinha muros, portões sem grades... De um lado o pessoal que se diz "correto", do outro os denominados "incorretos" e do outro os Cachorros lambendo a urina que escorre nos muros...rá!!! Hipócri...não!!! Capaz! O Oscar é só no domingo. Pra quê levantar bandeiras? Falar? Deus já nos deu: Pagu...Guevara...Sócrates...Goethe...Almodovar...e...Hebe Camargo!!! Aliás o que não falta nessa cidadela são Hebes Camargos...e festival de máscaras...e fala - se errado na TV para transparecer ser do "povão"; e mete o grupinho Tântrico fazendo sexo sem penetração; e constróem muros, fábricas, cortinas!!! É a CULTURA minha gente!!! É a CULTURA em massa atravessando a avenida! E cadê? Cadê o TEATRO?  A Música? A POESIA? A CULTURA??? Divirtam - se aliás é só o começo!!! Em julho com chapéu e espora!!! E então...já repararam como guaxupé é cheio de HELENAS DA NOVELA DAS 8??? RS! Chatas, Sem noção, Pescoço torto, Sem talento, mas sempre querendo ajudar os menos favorecidos!!! Social!!! Quem tem Down??? rssss!!! Uma frase pra dormir e sonhar: "Guaxupé Cultural, Só No Carnaval!"!!!!! Ô rima pobre, Ô rima boa!!! Todo carnaval tem seu fim!!! Aqui??? Risos!



Escrito por TaTo às 00h55
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FARRAMBAMBA

Feito!

Não vejo mais o sóbrio papel,

em estandarte.

Coloque a fardeta,

prontos para carregar o chão.

Se não se zangar,

que a glória de sentir

o gosto das fezes

se achegue ao espelho.

farrapo prestes a se condenar.

Com o ferrete não se cristaliza.

Não tenho faro para desunião.

Se achegue depressa,

no carecer de fascinação.

Pause no arrepio

de silêncio, peso.

Nada se concretiza.

O feto que fescenino se inquieta.

O trapo no mastro, no céu.

Todo o tempo fatigado

de honra e repetição.

Fita bem o árido terreno de ilusão.

E em pura farsa,

homem se desdobra

farreando com antigos viajantes,

domando-se em plenos pousos rastejantes.

O olhar triste,

a fragância de rosa,

pergaminho.

Fecha dentro do choro

lampejos de transparência.

Se a sede que tem

ferido não se vê,

e no fundo do estômago,

sai pela janela de fidalgo.

Adentrando à festas de máscaras,

cumpre a ausência de prever.

Levante a mão para falar.

Até quando terá a alma

de doce gosto,

e da fonte bebe todos os santos,

na procissão!

Esquece as promessas,

desliza no clarão.

Lá vai indo...

Indo formando frágeis pinturas

e,

quando menos acolhe

o rosto franzino,

queima sua longa solidão.



Escrito por TaTo às 03h11
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CINCO BADALADAS PARA O ROMANCE DO VELHO AGENOR E DA SRT. SR. DONA ANA:

1. Na tarde, avista a lua,

remendando velhos trapos

as mãos enrugadas e quentes

vão acalentando o rosto do alfaiate.

2. Ele, lá, calado

observando, tinindo,

a causa de tantas velas

serem, por si só acesas.

3. Na tarde, que avista a lua,

após longos ponteiros de olhares avulsos

lança a mão, à senhora,

senhorita, cobrindo o rubor latente.

4. Ela lá calada,

disposta, silenciada,

a causa de tanto tempo

ter sido honestamente arrastado.

5. Na tarde, a lua some,

e no toque que da luz consome

sela o beijo e rico abraço.

A aliança estava, permaneceu.

 



Escrito por TaTo às 02h24
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AMIGO!

Li sobre as formas de se pensar.

Joguei meu pano longo no teto de proteção.

Fechei minha mão, cobri o punho.

Soquei o lábio de um toldo.

Já era tarde quando o sangue secou.

Falei baixo para que ninguém escutasse.

__Não adiantou!

E a foto permaneceu:

Amarelada.



Escrito por TaTo às 02h22
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O TURCO...

Descreva a sua honra

em papéis avulsos

em canções distantes.

A prece não foi digna de adentrar no quarto,

não faz da vida estranheza.

Fale como homem

com chapéu.

O gesto malicioso,

a plena vontade de ser

a raiz arrancada.

Ao nobre vão.

Deixe o amor virar,

nada diz sobre tal doença.

Não decore a falta de reza.

É nos seus braços

que se abre a rima.

Estás apto a passar,

da porta que dá

para o sonho longo.

Entre as ondas que se anulam,

faz da nuvem a passagem,

é de coração que carece.

A força vinda,

bem quer a rédea curta.

Curvo diante dos longos

caminhos.

A sua espera

lá no alto,

eu,

estará.

Descreva a sua honra,

em papéis avulsos,

em canções distantes,

banhe no mar casto,

e nas areias

desmanche.

Nada que valha a causa,

da pétala que perto do sentir

voltou - se contra o sopro.

E a sua espera

lá de longe,

do alto,

da escrita,

eu,

estará.



Escrito por TaTo às 02h20
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MANDAMENTO

Agora, pai, volte as suas preocupações.

Eu e tu no bosque solitário,

arrancamos a última árvore,

a doce flor e a grama rala.

Também, já não tenho tantas promessas a fazer,

na altura de quem roga por perdão

já sou pequeno.

Sou o filho, sem ofício

aclamando por ocupação.

A última visita que me fizeste

talvez recebesse boas novas,

se não fosse pela natureza,

assim leve,

tão negra.

Agora, pai, volte as suas lamentações.

Eu e tu no bosque solitário,

já secamos o lago de tanta lealdade.

Já riscamos com faca

o tronco e os males,

já desprezamos a rosa

que do canteiro

avistava a ferida.

temes, por ocasião,

e, tu na longa prece

ofereceu o benefício

a cada dia novo de amor,

a cada tempo morno de afeição,

a cada ausência lamentada,

de lama, adoração.

Agora, pai, volte a sua cama.

cubra - se de remédios,

com o santo manto de desolação.

Eu e tu no bosque solitário,

já avermelhamos as ricas águas,

colhemos o fruto podre,

abrimos o céu

com a chuva

deliberada e enferma

de lágrimas.

Sou o filho, o velho pastor,

que da espada, na dor,

vasculha o teu soberano jardim.

Agora, vosso unigenito filho,

padecido,

toma conta do teu adorado consentimento.

Agora, pai,

tome conta da tua morada,

daquele casebre de madeira,

eu, aqui, regarei as raizes

e por debaixo

tu verás que me tornei devoto jardineiro.

Agora, pai, volte ao teu sono.

Que agora, pois,

farei pela eternidade.

 

 



Escrito por TaTo às 02h19
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BALADA DE UMA TRISTE MENINA

Das filhas de José,

homem bom a contragosto,

nasce ao pé do arado,

a imensa beleza

que finda tristeza,

jornada não faltará.

Na infância atrapalhou - se

como o canto,

e no pranto,

soube das atitudes amanhecidas

livrar - se do sol

da imensidão.

És sempre a inteira canoa,

murmura aos lados,

margens,

canções com gosto de choro

lamentar

a covardia.

A mãe com as pernas vergadas,

tortas.

Cansada da antiga morada,

entregou - se à velhice,

vinda das frias colinas

num aceno de adeus.

E na perda presente, lama do sertão,

inda caminha as pressas

a remendar retalhos,

palhas,

para se cobrir,

no resto.

De onde vem o vermelho que desce nas vestes?

Ao olhar do amor que espera,

pendura - se no rio

temendo o frio

do sopro do vento

vindo do diabo.

Escumunga,

percegue o morro,

e da fome um consolo,

surge a poetiza

sobrevivente

da brevitude.

Rema a seca,

os canteiros munidos de flores imaginárias,

tuas mãos na terra

permanecem abertas,

deslizando,

na brincadeira.

Tua voz ausente

prende a uma cantoria,

ao rouxinol,

não se contentando

ao som,

ao toque.

Ao cais do tùmulo que a espera,

outrora em fonte

cansada não se vê.

Da lágrima

o rio,

transborda.

Ofegante,

distante vai navegando,

os muros, ares, tempo!

Ela e o vestido rasgado

lança o punho ao peito

ajoelha e não é.



Escrito por TaTo às 02h18
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O barquinho...

Estendi meu mastro branco,

na mais discreta sepultura.

Cobri todo meu pranto,

entre flores silvestres

e sambas frouxos.

__Minha mãe não se entristeceu,

continuou a lavar sua roupa__

Onde está o amigo que antes pousou entre manchas?

Joguei todo meu clero,

Na minha ousadia.

Em pó.

No doce mar.

Badalei todos os sinos,

sumi na rara megalomania.

E as redes voltaram,

cheia de peixes.

Mas das águas o que trouxe?

Se encheu do mais estranho hábito.

Quem disse que versos são pra se soltar?

As estrelas desapareceram com o clarão,

em meio ao barco,

cobri meu rosto e chorei,

no alto som.

Pintei de todas as cores

todo o balé de meu corpo.

Pincelei o sol,

o mar,

a proa

de vermelho,

como manchas em nobres meninas.

Atirei em desengano.

De que vale velejar

disposto a se fechar?

__Sangue morno não careço.

E no próximo sol me levanto__

Levo comigo as alegres canções,

dessas inexistentes

que aliviam meu cantar.

Levo todas as poesias de amor,

cordel. Todos!

Irei parar de respirar tão alto,

não perturbarei ninguém.

Há um digno sono nessa grandeza,

tomo a água envolto em tristeza.

Sou todas as cantigas de roda,

todas as serenatas de violão.

Todos os bailes de carnaval.

Todos os santos dias de chuva.

O mar torna-se grande,

não me vejo em altar,

colorido, blasfemando,

sobretudo ao que me prenda,

hei de me apegar.

Clarea toda noite,

remo pra fora de lá.

Me soltem!

Desprenda!

Vai ver todo esse vento

se acolheu com meu murmúrio.

E o barco tomou-se em testemunho.

Sou tudo aquilo que me faz remar,

rema, rema!

Pra bem perto.

Só resta saber

se tudo volta.

O meu cantar se diz calmo.

E devagar me dedico a ser marinheiro.

E ao amanhã não digo o sim.

É sorridente agora,

poderia ser?

E com lágrimas o barco se encheu.

A ponto de transbordar.

E eles ainda dispostos a falar:

__"Divagar", grito, "divagar"...

E com a cabeça abaixada

ouço o mais triste barulho:

Silenciou.

E não sou mais nada.

 



Escrito por TaTo às 02h00
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